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SOBRE
A ARTISTA
Iracema
| Declaração
| Reconhecimento | Conferências
| Distinções | Apreciações
Iracema
Nascida
em São Paulo, Iracema Arditi começou a pintar, como autodidata,
em 1951, depois de exercer várias atividades como a de secretária,
jornalista, aeromoça. Em 1954, expôs no Salão de Arte Baiano, em
Salvador. Foi, todavia, na década seguinte que sua carreira deslanchou,
a partir de sua primeira exposição individual no Brasil, na Casa
da Cultura Francesa, São Paulo, em 1965, a qual foi seguida, no
mesmo ano, pela mostra individual na Galeria Herbinet, em Paris.
Desde então,
participou de dezenas de exposições coletivas, no Brasil e no exterior,
e realizou cerca de 30 exposições individuais, a maioria fora do
Brasil. No exterior, seu mercado desenvolveu-se sobretudo na França,
onde ela expôs individualmente nas galerias Herbinet, Paris (65),
Antoniete,Pa ris (67), Camille Renault, Paris (69), Séraphine, Paris
(70) , Debret, Paris (74), no Museu Henri Rousseau, Laval (74),
Espace Culturei O.P., Lyon (90), Maison deL'Unesco, Paris (90) e
Espace Cuiturel Rencontre et Acuueil, Lyon (91). Além disso, Iracema
participa com muita regularidade do "Salon d'Automne" a partir de
1967, no Grand Palais, em Paris.
Apaixonada pela
causa naïf, Iracema criou em 1972 em São Paulo o "Museu
do Sol", primeiro museu de arte naïf do Brasil e da América
Latina, o qual foi transferido em 1978 para a cidade de Penápolis,
no interior do Estado de São Paulo, onde continua em pleno funcionamento.
Em 1988, uma seleção de pinturas do acervo do Museu do Sol foi mostrado
no Museu de Arte Naïf Max Fourny, em Paris, dentro do programa cultural
do "Projeto Brasil- França". Pelos serviços prestados à vida cultural
de Penápolis, a Câmara Municipal da cidade concedeu Iracema o título
"cidadã penapolense", em 1978. Quatro anos antes ela havia sido
distinguida com Medalha da Cidade de Laval, França, onde nasceu
pintor naïf Henri Rousseau. E, 1985, o governo francês concedeu-lhe
grau "Chevalier des Arts et Lettres".
Declaração
"Sol
verde é a luz que envolve minhas paisagens, sejam elas azuis,
verdes ou amarelas. Meus telhados dourados ou anilados estão contornados
por uma aura verde. Quando pinto, tenho impressão de que "Ele" me
toma pelas mãos e juntos saimos passeando. Tomamos caminhos, mas
delizamos do que andamos. Nossos olhos vêm montanhas através das
asas transparentes de borboletas gigantescas. Entre nós existe
cumplicidade maliciosa. Cor, cor... Pinceladas verdes, azuis, amarelas,
rosas. Pinto o silêncio, o amor, a alegria, o vento..."
Reconhecimento
Além
de Pablo Neruda e Anatole Jakovsky,
muitos outros escritores críticos arte se ocuparam da pintura de
Iracema. Para José Geraldo Vieira, "Iracema é paisagista de
um trópico lírico".Para José Roberto Teixeira Leite,
suas pinturas são "evocações saudosas do Jardim Éden, poéticas visões
de Hortus Axnoenus, nostálgica reconstituição Paraside
Lost". Geraldo Ferraz escreveu que sua "pintura é
feérica no que condiciona de inventividade, imaginação, domínio
pleno da ordenação do milagre, em seus canteiros floridos, em sua
paisagem tocada pela graça, enxameada de borboletas e de aves".
Ernestina Karman avalia que "Iracema sonha acordada quando
pinta e nos leva a fazer o mesmo quando apreciamos seus trabalhos".
Para Radha Abramo, "o colorido de sua paisagem, repleta de
folhagens e flores, representa o que há de mais belo entre as pinturas
contemporâneas". Leo Gilson Ribeiro julga que "Iracema se nega
a documentar: sua pintura maravilhosa participa do sonho, do sortilégio".
E Jorge Amado: Iracema pinta o Brasil, aquele Brasil ainda intocado
e puro, agora exposto mundo afora pelo talento da pintora para a
emoção e a esperança de quantos o descobrem nessas paisagens onde
podemos, como ela própria anunciou, "colher nossas flores".
Iracema quer apenas "oferecer algumas flores". Em verdade ela
nos oferece um universo de amor".
Leia aqui
o poema de Pablo Neruda.
Conferências
- Museu da Casa
Brasileira, São Paulo
- Colégio Mackenzie, São Paulo
- Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos - Santos
- Colégio Maria Imaculada, São Paulo
- Liceu Pasteur, São Paulo
- Museu de Laval, França
- Mesa Redonda Sohe Ingênuos - Roma, Itália.
- Ingênuos Brasileiros - Espaço O.P - Lyon, França
- Maison da Unesco - Paris
- Galeria Zangbieri - Basiléia, Paris
- Espaço Cultural - Lyon, França
- Universidade de São Paulo - USP
- Banco Central do Brasil, São Paulo
- Salão Internacional de Arte Ingênua - Piracicaba, São Paulo
- Mesa Redonda sobre Arte Popular e Naïf - USP, São Paulo
- Jockey Club - São Paulo
- Universidade de Heidelberg, Alemanha
- Centro Cultural - Ibero-Latino Americano - Frankfourt, Alemanha.
- Associação Brasileira - Lyon, França.
- Liceu Edouard Herriot - Lyon, França.
- Bienal de Arte Naïf Brasileira - Piracicaba - São Paulo.
- Wizo - São Paulo - Brasil.
Distinções
1969
- Medalha Camille Renault, Paris
1971
- Prêmio Internacional - Festival Internacional - Cagnes-sur-Mer
França
1974
- Medalha da Cidade de Laval - França
- Medalha Bartholomeu de Gusmão - Instituto Histórico e Geográfico
- São Paulo.
1978
- Título de Cidadão Penapolense - Penápolis, São Paulo.
1979
- Voto de Louvor - Assembléia Nacional do Rio de Janeiro, Brasil.
1985
- Cavaleiro das Artes e Letras - França.
- Membro Societário e Júri do Salão de Outono, Paris.
- Fundadora do Museu do Sol - Penápolis, São Paulo.
1998
Sala especial na Bienal de Arte Naïf do Brasil - Piracicaba
- São Paulo.
1999
- Sala Especial na Segunda Bienal de Arte Naïf - Laval, França.
2000
- Medalha da Bienal de Arte Naïf - Laval, França.
- Sala
de Convidados de Honra da Bienal de Arte Naïf - SESC Piracicaba
- São Paulo, Brasil.
- Membro Societária do Salão de Outono, desde 1966
- França.
- Fundadora do Museu do Sol - Penápolis - São Paulo,
Brasil.
Apreciações
Jorge
Amado
"IRACEMA DO BRASIL"
Um
pais vegetal e mágico, paisagem tranqüila com águas mansas de lagos
e rios, legiões de enormes borboletas, pequenos pássaros em bando,
numa inata sabedoria de cores, eis o mundo de Iracema em quadros
cada qual mais repleto de paz. Recordo meu deslumbramento no meu
primeiro contato com a pintura da moça paulistana, se não me engano
em uma exposição na Galeria Cosme Velho. Essa sensação imediata
de paz e amor na visão de um mundo ainda não afetado por toda a
corte de desgraças que nos cerca e assassina a cada instante em
todos os quadrantes de um mundo sem sentido. Iracema nos restitue
a simplicidade, a ternura, uma plenitude de vida.
Não
por acaso sua pintura emocionou tanto à Pablo Neruda, a ponto de
escrever aos ver seus quadros "Fué como presenciar los primeros
amores de la tierra." Não por acaso outro grande poeta, o brasileiro
Murilo Mendes, afirma recolher-se a um pequeno quadro de Iracema,
pendurado na parede de seu estúdio romano, para fugir da ameaça
da bomba atômica - na pintura de Iracema aflitos nos refugiamos,
oásis da vida em meio às ameaças de morte.
Porque
também é poesia a pintura de Iracema onde por vezes flores, borboletas,
aves e crianças se fundem feericamente numa transfusão de planos
e cores como não houvessem limites para a invenção, para o sonho
do artista.
Sonho
de flores e folhagens que é ao mesmo tempo realidade concreta pois
Iracema pinta o Brasil, aquele Brasil ainda intocado e puro, agora
exposto mundo afora pelo talento da pintora para a emoção e a esperança
de quantos o descobrem nessas paisagens onde podemos, como ela próprio
anunciou "colher nossas flores", Iracema quer apenas nos "oferecer
algumas flores". Em verdade, ela nos oferece um universo de amor.
Jacque
Michel "Le Monde" - Paris 8 de Novembro de 1974
"Iracema
pinta o natural e fala o sobrenatural. Na sua pintura, a natureza
é sempre doce, quente e acolhedora. As fadas estão vigilantes, mas
no avesso deste cenário apresentado como ingênuo (naïf) ,tal como
foi apresentado no museu de Laval, cidade do "Douanier Rousseau',
brota algo de feiticeiro. Acontece de fato, que essa figuração precisa,
que muitas vezes navega até o precioso, senão o delicado, roça o
drama e nos conduz até a vertente do irracional poético.
As
paisagens pintadas de Iracema nos logram pela sua candura aparente,
talvez porque sejam autênticos sonhos. Pinturas e viagens."
José
Geraldo Vieira Folha de São Paulo
"Iracema
criou seu mundo colonial carioca, uma mescla de ascurra escorrendo
verde e cromática para a Glória e Botafogo, com os ingredientes
do Corcovado, do viaduto, da capela em frente ao Russel: Iracema
é paisagista de um trópico lírico."
Ernestina
Karman (Presidente da Associação Paulista dos críticos de arte,
APCA; Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte, ABCA
; 2a vice-presidente da Bienal de São Paulo; Crítica de arte da
Folha da Tarde)
São Paulo, Maio de 1978
"Como
muito bem escreveu Pablo Neruda, em 1965," Iracema que nos ensena,
em su pintura, a florescer." Ver os quadros desta artista brasileira
que sonha acordada para pintar e nos leva a imitá-la, é ter a oportunidade
de constatar toda a prodigalidade divina, para com o verdadeiro
artista, quando lhe concedeu o dom de criar.
O
mundo de Iracema é mais colorido do que aquele em que vivemos. Seus
campos são mais floridos. As águas de seus lagos são mais azuis.
Suas avezinhas voam livremente sem temer a agressão dos homens.
A luz dourada que ilumina suas paisagens brotam de seu coração sem
precisar do nosso sol.
No
mundo de Iracema é sempre Primavera e as flores não fenescem porque
são eternas como é eterno o verdadeiro artista, como será a nossa
Iracema, brasileira e universal."
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