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Por Iracema
Nas margens
do Sena
Pescadores cansados pescavam velhos peixes
Era outono em Paris
As folhas exitavam entre permanecer na árvore
Ou cair nas águas do rio fatigado
Vários
séculos pesavam sobre a catedral cor de cinza
Eram séculos terríveis,
Sacos de pedra e sangue
A
antiga catedral mostrava suas rugas
Já não tinha dentes
Seus olhos pequeninos não miravam em nada,
Não miravam o céu
A Europa me pareceu aquele dia
Cansada em sua beleza
Até que na rua Bonaparte
Me assaltou a pintura de Iracema
Foi
como presenciar os primeiros amores da terra
Todo
o bosque nupcial
A água viva
A fragãncia da árvore dando gritos
A fúria verde
Da primavera
Iracema
Ah, pelo menos tu
Não estás cansada
Te
amo.
Pablo Neruda,
1965
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